
Já teve início o projeto de conservação e digitalização da coleção de negativos em vidro da Foto Sousa, estúdio de retrato e reportagem, sediado em Vale de Cambra em atividade desde 1911 até 2000. O fundo pertence neste momento ao Arquivo Municipal de Vale de Cambra, estando uma parte em tratamento na LUPA.
Esta é uma coleção muito curiosa, trata-se de retratos de passe dos habitantes da região, produzidos nas décadas de 1910 a 1930. O fotógrafo Augusto Tavares de Sousa, dos estúdios Foto Sousa tirou o retrato a cerca de 28.000 pessoas, usando negativos em vidro de pequeno formato, estando a LUPA neste momento a tratar e digitalizar cerca de 10.000 negativos.
Os vidros cortados artesanalmente para este formato, apresentam bordos irregulares e cortes imperfeitos, arestas encurvadas, enviesadas, de acordo com a sua origem artesanal. As imagens estão, contudo, miraculosamente preservadas: os retratos que temos em mãos são um desfile impressionaste de figuras populares da região e coexistem com grandes álbuns onde as respetivas provas se encontram coladas e em parte com identificação dos retratados. A LUPA procede à higienização, acondicionamento e numeração individual, continuando com a digitalização e tratamento de imagem. Faz parte do projeto do Arquivo Municipal a divulgação publica destas imagens em formato digital.
HISTÓRIA DA FOTO SOUSA
A Foto Sousa foi a primeira casa de fotografia a funcionar no concelho. Fundada em 1911, por Augusto Tavares de Sousa, inicialmente designou o estúdio por A. Tavares de Sousa - Fotógrafo. Provavelmente, em 1926 mudou de instalações e passou a denominá-lo por Foto Progresso, mantendo-se esta designação até 1933. Nesse ano modifica, novamente, o nome do estúdio - Foto Sousa - e transfere as suas instalações para o lugar de Moradal, freguesia de Vila Chã.
Para além de Augusto Tavares de Sousa, trabalharam nesta casa de fotografia os seus filhos Manuel Tavares de Sousa e Alberto Tavares de Sousa. O primeiro, após aprender a arte e ter percorrido alguns estúdios, optou por abrir um no concelho - Foto Central. O segundo, após a morte de seu pai, em 1943, adquiriu a parte que correspondia a seus irmãos e ficou proprietário do estúdio. Na década de 1990 o seu trabalho cingiu-se, praticamente, à reprodução de fotografias feitas a partir dos negativos que já possuía. Não obstante manteve a sua atividade até ao ano de 2000, ano em que faleceu.
O espólio da Foto Sousa é composto por cerca de 124.349 espécies fotográficas, equipamento fotográfico, álbuns e livros de registo.
As temáticas presentes na coleção são várias, devido às imensas reportagens realizadas pelos fotógrafos: indústria (Latoaria, Metalomecânica, Laticínios, Madeiras), ensino, política, arquitetura, religião (casamentos, batizados, comunhões, funerais) festas, paisagens, associações (mutualista, desportivas, culturais, Sta. Casa Misericórdia), entre outras. O conjunto documental constitui um testemunho singular da memória coletiva da comunidade, preservando imagens do quotidiano, das pessoas, das transformações sociais, económicas e culturais e da evolução do território, assumindo-se como uma fonte de elevado valor histórico, patrimonial e científico.
(Informação gentilmente cedida por Victor Tavares, Arquivo Municipal de Vale de Cambra).